DEZ MIL BEZERROS EM UMA SAFRA ÚNICA

18/07/2016

Em São Miguel do Araguaia (GO), foi realizada a maior desmama de bezerros em uma fazenda, filhos de dois touros, em uma única safra. No total, 10.000 animais entre machos e fêmeas, filhos dos touros Jallad Fiv da 2L e Palluk POI Fiv da 2L – ambos da bateria de reprodutores Nelore da CRI Genética - foram produzidos na fazenda com o propósito de ser a maior produção de gado comercial de alta qualidade do País.

De acordo com Paulo Leonel, pecuarista e parceiro do projeto, a qualidade e padronização dos 10.000 animais estão muito acima da média nacional. Sendo que os machos, graças a sua velocidade de ganho de peso, precocidade e alto índice de classificação para a Cota Hilton, serão comercializados para a Fazenda Conforto, de Nova Crixas (GO) - considerada uma das maiores produtoras de carne do Brasil. Já as fêmeas, devido à sua qualidade genética, ficam na fazenda para fazer a reposição do rebanho.

Diferencial genético

Localizada às margens do Rio Araguaia, conhecida pelas condições desafiadoras de clima quente e úmido, solos irregulares e pastagens diversificadas, além da grande extensão territorial da fazenda, um animal para desenvolver-se bem na Nova Piratininga precisa ser extremante adaptado desde o nascimento. Por outro lado, para atender aos mercados de carne mais exigentes, precisam ser produtivos. É nesse contexto que o material genético faz toda a diferença.

Os touros utilizados no projeto 10.000 bezerros conseguiram imprimir nas progênies produtividade com precocidade sem perder as características raciais funcionais, naturais da raça Nelore, como:

* habilidade materna – média de peso ao nascimento dos animais foi de 32 kg - facilitando o trabalho de parto das novilhas e vacas jovens – sem a necessidade de ajuda humana, impraticável em um sistema de produção extensivo;

* padronização da produção – lote homogêneo, demonstrando que os touros são raçadores com consistência genética;

* rusticidade - todos os animais foram criados exclusivamente a pasto, nas condições tropicais, onde o animal na adversidade tem que encontrar o que comer;

* precocidade e velocidade de ganho de peso: lote de 10.000 animais desmamados com peso médio de 221 kg aos 8 meses de vida; Projeção de abate aos 20 meses e 20 arrobas, com 90 dias de confinamento;

* fertilidade – Taxa de concepção acima da média na primeira inseminação em programa de IATF.

O diretor pecuária da Nova Piratininga, Aderbal Caiado, destaca que desde que o projeto foi montado, esta é a quarta estação de monta e que o padrão de qualidade expresso nos animais é o reflexo do trabalho de seleção.   “Fizemos um trabalho de buscando índole, úbere, estrutura, musculatura, ossatura, profundidade, buscando um animal do tamanho ideal, compacto, produtivo e precoce, adaptado para as nossas condições”, observa.

Competitividade

O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e o segundo maior produtor, responsável por 17% da carne produzida no planeta, atrás dos EUA, com 19%, de acordo com dados de 2015 da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). O emprego de genética, manejo e nutrição tem feito com que a evolução do rebanho nacional aconteça em saltos e a perspectiva é que até 2020 o Brasil ocupe a liderança mundial no segmento.

Entre os fatores determinantes para o Brasil está na nossa base produtiva, que é o boi a pasto, possibilitando produzir uma carne de qualidade a baixo custo. Caminhando nessa direção, os 10.000 bezerros serve como referência para a pecuária nacional, pois ele reflete a realidade da grande maioria dos pecuaristas brasileiros.

O gerente de produto corte da CRI Genética, Daniel Carvalho, reforça a importância de compor uma base de rebanho que alicerce um projeto de produção de carne a pasto com engorda em confinamento. “Esse trabalho foi todo desenhado para atender à necessidade da Nova Piratininga. Produtividade, adaptabilidade, caracterização funcional. Um gado construído para ser eficiente e produtivo dentro do sistema de produção tropical a pasto,” finaliza. 

A natureza não precisa do homem. Mas o homem precisa da natureza. Explorar com equilíbrio a abundância de um País tropical, promoverá o desenvolvimento permanente de quem sempre teve vocação agrícola. Para ser o melhor, o agropecuarista precisa enxergar as oportunidades e possibilidades dentro do seu próprio negócio. E saber, definitivamente, que há tempos o agronegócio é a pauta positiva da nossa economia.

Fonte: Dinheiro Rural