Pecuaristas não querem vender gado pra JBS

24/05/2017

O escândalo gerado pelas delações dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, proprietários da JBS, companhia que possui no Brasil 36 unidades de abate de bovinos, gerou um clima de apreensão e especulação entre os pecuaristas.

Muitos se negaram a fechar novos negócios com a empresa ou simplesmente não entregaram, nesta semana o gado, que já havia sido vendido antecipadamente, com o objetivo de vender para outros frigoríficos. Especialistas do setor aconselham o criador, neste momento, a ter cautela.

Nesta sexta-feira (19/5), em todas as praças brasileiras, as vendas estavam mais lentas que o usual.  As vendas de gado para os frigoríficos da JBS começaram a diminuir na quinta-feira pela manhã.

Grande parte dos pecuaristas brasileiros estão receosos em vender gado para as unidades da JBS, com medo de sofrer calote. Pecuaristas afirmaram que estão evitando fechar novos negócios com frigoríficos da empresa e muitos afirmaram que não entregaram os bois negociados antecipadamente.

Na região do Pantanal (MS), segundo o pecuarista A.H, a classe está ‘dividida’. “Muitos estão tirando bois da escala e há aqueles, uns poucos, que acreditam que eles [a JBS] continuem pagando. Eu tirei o meu gado que estava escalado para eles”, declarou o criador. “Fiz frigoríficos pequenos”, disse ele. “Estamos mortos”.

O medo – disseminado pelas redes sociais e pelos aplicativos de mensagens instantâneas no smartphone – reflete no fato de a JBS concentrar frigoríficos em todo o país. Uma das estratégias da empresa, ao longo dos anos, foi comprar empresas do setor, deixando poucas opções de negociação para quem quer vender. “É uma concentração dos frigoríficos deles em todas as regiões”, disse.

Atílio Gusson, diretor geral do frigorífico Mercúrio, que tem duas unidades de abate no Pará (Xinguara e Castanhal) diz que na região, há quatro frigoríficos JBS e, desde quinta-feira, os criadores de gado da região também estão receosos em vender gado para eles, assim como no Pantanal. “Eles [vendedores] estão com medo de vender gado para as empresas deles [da JBS] e nos procuraram”, contou. “Só que, por precaução, nós não embarcamos nada”.

O executivo diz que o Mercúrio ficou fora das compras nesta sexta-feira e só vai retoma-las na próxima terça-feira (23/5). “O mercado está cauteloso com os últimos acontecimentos e precisamos aguardar”. O receio da parte de quem compra é que, com a maior oferta no mercado, os preços caiam, o que já vem acontecendo desde março deste ano, quando foi deflagrada pela Polícia Federal a Operação Carne Fraca.

“Por outro lado, sem os abates da JBS, o mercado consumidor vai sentir a falta de carne e a demanda pode aumentar”, disse. “Mas o que temos que fazer agora é esperar, tentar enxergar o mercado com mais clareza e estabilidade e acompanhar o comportamento do dólar”, afirmou.

Fonte: Revista Globo Rural, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint