Produzir mais barato pode significar produzir pior

25/10/2016

A ideia deste artigo é demonstrar que “economizar” em insumos nem sempre é a melhor coisa a se fazer e quase sempre significa queda no retorno sobre o investimento em pecuária.

 

As simulações que serão apresentadas não tratam de ensaios, mas, seguramente, os resultados estão dentro dos possíveis levando em conta os parâmetros técnicos escolhidos.

 

Simulação.

 

Utilizaremos bezerros comprados em junho de 2014, aos 210 quilos, pagando o preço da época em São Paulo, R$1,0 mil por cabeça. Eles serão, no mês seguinte, colocados em um pasto arrendado para ser recriado e engordado.

 

Neste sistema, os insumos serão: suplemento mineral nas águas, suplemento proteico na seca, protocolo sanitário completo com três vermifugações na seca, vacina contra clostridiose e vacinação anti-aftosa. O custo médio mensal será de R$45,85/cabeça, o ganho de peso médio na recria e engorda ficará ao redor de 400g/dia.

 

Com este desempenho, o bovino terá em outubro de 2016, ao redor de três anos de idade, entre 537 e 552 quilos, dependendo do período do mês em que for abatido. Se na indústria, 53,0% da média deste peso (544,5 kg) for considerada carcaça, serão pagas 19,2@ ao pecuarista. No preço atual da arroba em São Paulo, R$152,00 à vista, a receita bruta será de R$2.283,71/cabeça.

 

Por fim, o retorno deste sistema (TIR), nestas condições de custo e receita, fica em 1,02% ao mês. Veja a tabela 1.



Para demonstrar porque a economia em insumos pode não ser uma boa medida, colocaremos este mesmo bovino adquirido em junho de 2014, em um arrendamento, em um sistema produtivo mais modesto, sem suplemento proteico na seca, usando somente uma vermifugação e sem vacinação de clostridiose, o que faz o custo mensal cair para R$39,00.

 

Consideramos que tal economia resultará em ganho de peso nulo na seca. Ou seja, “fomos pouco rigorosos” com os efeitos da “economia de insumo” quando assumimos que este animal manterá o peso na entressafra do capim. Note que, além da retirada da suplementação, com redução na vermifugação, a possibilidade de verminose aumenta e isso é outro fator que contribui para o menor ganho de peso.

 

Em resumo, o desempenho médio de recria e engorda neste sistema menos tecnificado será de 260 gramas/dia (500 gramas nas águas e sem ganho de peso na seca) e isso fará com que, somente em setembro de 2017, doze meses após o abate do boi gordo na primeira simulação, atingir 18,2@.

 

Se nesta data futura a arroba for vendida por um preço 10,0% superior ao de outubro de 2016, estimativa otimista considerando o cenário provável para 2017, o retorno sobre o investimento será de 0,77%.

 

Ou seja, no primeiro sistema, gastamos mais por mês (R$45,85) e vendemos a arroba por um preço significativamente menor (R$152,00) mas o retorno foi 32,46% maior. Veja a tabela 2.

 

Fonte: Scot Consultoria/ Foto: Rural Centro