Seca pode elevar abate de fêmeas

06/10/2016

As oscilações no preço da arroba e do bezerro não devem influenciar no abate de fêmeas no último trimestre de 2016. De acordo com Maurício Nogueira, da Agroconsult, mesmo com as recentes quedas, os preços ainda são atrativos. “As cotações ainda justificam o movimento de retenção”, destaca.

Por outro lado, o analista avalia que, em função da queda da capacidade de suporte das pastagens, ainda podemos ter um número maior de fêmeas encaminhadas à linha de abate . "A seca prolongada nas principais regiões do país pode refletir num sensível aumento de abate de fêmeas. Mas nada que impacte muito o mercado".

De acordo com os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  40,6% do total de animais abatidos no primeiro semestre de 2016 foram fêmeas. No mesmo período do ano passado, as fêmeas representaram 42,9% do total de animais abatidos. Em 2014, de janeiro a julho, as fêmeas participaram de 45,6% dos abates.

O período de retenção acontece em momentos de alta do preço do bezerro e é um dos índicios da virada de ciclo da pecuária. Segundo José Vicente Ferraz, da Informa FNP, os impactos da retenção só serão sentidos em meados de 2017. “Devemos ter uma maior oferta de bezerros no segundo semestre do próximo ano e isso pode afrouxar os preços do setor”.

Novilhas -  O percentual de novilhas abatidas no Brasil mais que dobrou nos últimos 20 anos, conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). Em 1997, as novilhas representavam 4% do abate total anual, participação que apresentou tendência de aumento nos anos seguintes.

Na parcial de 2016 (primeiro semestre), as novilhas já representam 9% do abate total, mais que o dobro em pontos percentuais comparativamente ao início da série do IBGE. Na média de 1997 a 2016, 6,6% do abate total refere-se a novilhas, com o pico sendo observado em 2014, quando representou 9,3%.

Fonte: Portal DBO